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PRESERVATIVO OU CONSCIENTIZAÇÃO MORAL?

Por: Rafael Uliano 


No feriadão de carnaval, tive a oportunidade de passar bons momentos com meus familiares, em Braço do Norte. Lendo o jornal local, havia uma propaganda da prefeitura municipal, mais precisamente da secretaria municipal da saúde, nestes termos: “AIDS não tem cara. A doença está sempre escondida. Use camisinha, é a única proteção”.
                É sobre essa propaganda que desejo propor uma reflexão hoje, com você leitor. Primeiro: A síndrome da imunodeficiência adquirida, mais conhecida por AIDS (em inglês a sigla seria SIDA) ou outras DST’s parecem ter cara e endereço bem conhecidos, ao contrário daquilo que foi veiculado. Exemplos: transfusão de sangue, sexo desenfreado, vários parceiros... Ou seja, é possível preservar-se tendo alguns cuidados básicos, tanto no campo da moral sexual como no campo da saúde.
Segundo: se a doença está sempre escondida (coisa que não é verdadeira, pois se pode contrair a síndrome sem ter consciência, por exemplo, numa transfusão sangüínea inevitável após uma hemorragia), porque procurá-la, no caso da vivência da sexualidade sem parâmetros, da instabilidade das relações, de modo que tudo vale, tudo é permitido, tudo convêm?
Terceiro, está mais do que claro que camisinha não é a única proteção. E nem é preciso explicar muito... Quem não leva vida sexual promíscua, quem leva a sério a vida sexual como indicam os princípios humanos e cristãos, por exemplo (em nossa região nunca se ouviu falar de não-cristãos), não sofrerá esses riscos.
                Evidentemente que, na vida de um casal, se um dos cônjuges possui o vírus da AIDS, parece que a camisinha seria, sim, a única solução; contudo, pesquisas recentes, concluíram e relataram que o vírus da AIDS é menor do que os poros microscópicos existentes na matéria com que é feito um preservativo e, nesse caso, a camisinha, como a secretaria da saúde de Braço do Norte propagandeou, não é a única proteção. Mas, é claro, o preservativo é o método mais seguro, pois o casal tem direito à vida sexual ativa; mas ressalto, não é o único meio de proteção.
                Em síntese, parece plausível dizer que a única proteção hoje, sem nenhuma chance de contaminar-se, diante da realidade da presença do vírus da AIDS, é seguir as indicações morais que são propostas por grupos, na maioria religiosos e quase sempre combatidos pela mídia. E então, fica o questionamento: não seria hora de investir também em propagandas, não partindo da oferta de preservativos, mas doutro modo, oferecendo reflexões que levem à conscientização da importância e da seriedade com que deve ser levada a vida sexual de cada pessoa? Quando se tem projeto de vida, esse deve ser construído sobre a rocha (cf. Mt 7,24). Evidentemente que, numa construção, faz-se necessário também a areia (cf. Mt 7, 26), mas essa por si só não é suficiente, pois sem o barro ou cimento misturados, por exemplo, a chuva leva tudo adiante. Em outras palavras, a areia é necessária na construção, mas na hora e na medida certa. A vida sexual entre homem e mulher também é indispensável, como complemento na vida do casal, contudo, essa também possui hora certa. Padre Zezinho, grande cantor, em uma de suas músicas já esclareceu: “laranja lima também é doce no momento, mas logo após tem gosto amargo até demais. Quando o casal apressa esse sentimento, o gosto amargo é o da mulher que sofre mais”. 

                                                                                                                                                                                              Rafael Uliano








O indescritível
Pe. Zezinho, scj


Indescritível, inimaginável, o Deus em quem eu acredito, está acima de qualquer palavra, de qualquer raciocínio humano. Indescritível porque não há maneira de, na verdade, descrevê-Lo como Ele realmente é. É como aquela enorme paisagem que, uma pessoa só, não conseguiria descrever porque não vê tudo. Nem ela nem mil pessoas conseguiriam descrever corretamente, porque também elas não veriam tudo. Mesmo se juntassem a sua experiência, ainda não teriam idéia completa da paisagem porque veriam de maneira demasiadamente pessoal, deturpada e limitada. A paisagem ainda esconderia segredos.
Assim é Deus: indescritível. Podemos descrever algumas de suas intervenções na humanidade, alguns dos seus sinais, mas isso ainda não é descrever Deus. Ele é mais do que aqueles sinais. Além de indescritível, Deus é inimaginável. Corremos o risco de fazer imagens erradas e resvalar para os ídolos, quando tentamos fazer imagens de Deus. Isto serve para imagens físicas de madeira, gesso, pedra e aço, serve para as pinturas e serve para as imagens mentais expressas por nossas palavras. Muita gente prega um Deus que não existe e descreve um Deus que está só na sua imaginação e por isso mesmo, insuficiente.
Muita gente cria ídolos de barro, de pedra, de gesso, de ferro, e muita gente cria ídolos de ideias. Adoram o Deus que eles imaginam e do jeito que eles imaginam que Deus seja, mas não do jeito que Deus é. É por isso que existem tantas religiões e tantos pregadores, garantindo que só eles conhecem a verdade sobre Deus. Causam pena pela vaidade que ostentam de saber mais que os outros e pelo estrago que causam nos seus seguidores. Não deixa de ser uma forma de idolatria querer apossar-se do conceito de Deus. É como sentir-se dono da ideia de Deus e não admitir que mais ninguém fale de Deus. Porque ele já sabe e, como ele achou, ninguém mais tem o direito de achar nada. Deus pertence a ele e à sua Igreja. Os demais que se calem.
Indescritível e inimaginável é o nosso Deus. Feliz daquele que é humilde o suficiente para admitir que não sabe quase nada sobre Deus. Já é o começo da sabedoria. 

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